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Capítulo X

Os Maias

“O Marquês arrastara uma cadeira para o pé de Afonso, para lhe fazer a confidência dos seus achaques; mas como Dâmaso se metia entre eles, falando ainda da Mist, decidindo que a Mist era chic, querendo apostar cinco libras pela Mist contra o campo – o Marquês terminou por se voltar, enfastiado, dizendo que o Sr. Damasozinho se estava a dar ares patuscos... Apostar pela Mist! Todo o patriota devia apostar pelos cavalos do visconde de Darque, que era o único criador português!...

- Pois não é verdade, Sr. Afonso da Maia?

O velho sorriu, amaciando o seu gato.

- O verdadeiro patriotismo talvez, disse ele, seria, em lugar de corridas, fazer uma boa toirada.

Dâmaso levou as mãos à cabeça. Uma toirada! Então o Sr. Afonso da Maia preferia toiros a corridas de cavalos? O Sr. Afonso da Maia, um inglês!...

Um simples beirão, Sr. Salcede, um simples beirão, e que faz gosto nisso; se habitei a Inglaterra é que o meu rei, que era então, me pôs fora do meu país... Pois é verdade, tenho esse fraco português, prefiro toiros. Cada raça possui o seu sport próprio, e o nosso é o toiro: o toiro com muito sol, ar de dia santo, água fresca, e foguetes... Mas sabe o Sr. Salcede qual é a vantagem da toirada? É ser uma grande escola de força, de coragem e de destreza... Em Portugal não há instituição que tenha uma importância igual…”

Eça de QueirozOs Maias, Capítulo X